A COMISSÃO CULTURAL E A GRANDE COMISSÃO
Texto Áureo: Mt. 28.19 – Leitura Bíblica: Gn. 1.26-30; Mc. 16.15-18,20
Pb. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsdioEBD
Objetivo: Refletir sobre o caráter integral da evangelização, envolvendo tanto a Grande Comissão quanto a Comissão Cultural.
INTRODUÇÃO
A
igreja de Jesus Cristo, por sua própria constituição, é evangelizadora.
Nesse particular, não podemos adotar uma atitude “politicamente
correta”, ainda que o mundo queira que “cada um fique na sua”. Em
obediência à Palavra do Senhor, devemos cumprir a tarefa missionária,
pregar o evangelho, difundir as doutrinas do Reino. Na aula de hoje,
estudaremos a respeito das duas comissões com as quais a Igreja deva
estar envolvida, a Grande Comissão e a Comissão Cultural.
1. AS DUAS COMISSÕES
A
palavra “comissão”, de acordo com o Dicionário Aurélio, significa
“encargo, incumbência, tarefa e missão”. Cabe à Igreja do Senhor a
tarefa de cumprir sua comissão, com um detalhe especial para o prefixo
“co” na composição do vocábulo. Não podemos desempenhar essa missão
sozinhos, precisamos depender dEle, sem Ele nada podemos fazer (Jo.
15.5), por essa razão Ele orientou aos seus discípulos para que
aguardassem o poder do alto (Lc. 24.49), e para que recebesse o poder do
Espírito Santo a fim de testemunhar dEle em Jerusalém, Judéia e Samaria
e até os confins da terra (At. 1.8). No sentido de tarefa ou ordenança
existem várias comissões dadas à Igreja, mas, em relação à obra de
evangelização, destacamos as duas principais: a Grande Comissão e a
Comissão Cultural. A primeira diz respeito à tarefa de levar a mensagem
de salvação para todo o mundo, cumprindo a ordenança missionária. A
segunda alude à tarefa dada por Deus ao homem a fim de difundir os
valores do Reino na cultura, de modo a refletir o projeto original de
Deus, em todos, na família, na ciência, nas artes, na política, na
economia etc. Atentemos, a princípio, para o conceito de cultura a
partir de uma abordagem antropológica, distinta daquele que as pessoas
utilizam no cotidiano, quanto afirmam que alguém tem ou não tem cultura.
A cultura é um padrão nos comportamentos humanos e as práticas dele
decorrentes, refletidos nos modos de pensar e viver de uma sociedade. A
cultura, nesse contexto, é uma produção humana, são os valores que a
comunidade atribui às suas crenças, e as vivências a partir delas. Por
isso, alguns estudiosos costumam associar a cultura à ideologia, isto é,
ao modo de ver a realidade. O cristão, por sua vez, se posiciona diante
dessa realidade a partir de um prisma diferenciado, já que tem a mente
de Cristo (I Co. 2.16), por conseguinte, leva todo entendimento cativo à
obediência a Cristo (II Co. 10.5).
2. A GRANDE COMISSÃO
A
igreja de Jesus não pode ficar circunscrita às quatro paredes, ela
precisa ir adiante, levar a mensagem do evangelho de Cristo. A análise
dos textos finais dos evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João, e
do início de Atos, revela a teologia bíblica da Grande Comissão. Tais
textos não se encontram em oposição, antes se complementam, a partir
deles a Igreja aprende a obedecer ao imperativo missionário. Em Mt.
28.19, diz Jesus, “indo”, na verdade o ide, poreoumai em grego não está
no imperativo, mas no particípio. O Senhor sabia que a Igreja iria, já
que essa é a condição de ser Igreja, ela não pode ficar estagnada,
acomodada em um mesmo lugar. O imperativo está no “fazei discípulos”,
que está atrelado à instrução de Cristo, haja vista que compete à Igreja
ensinar aos discípulos a “guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado”. Nos dias atuais, em que a preocupação de muitas igrejas é tão
somente aumentar o número de membros, a orientação de Jesus é para
façamos discípulos, que neguem a si mesmos, tomem a sua cruz e sigam
após Ele (Mt. 16.24). De acordo com o registro de Marcos, o alcance da
Igreja, ao fazer missões, deva ser “toda criatura” (Mc. 16.15), ou
melhor, a qualquer pessoa, em qualquer lugar, não existem fronteiras
demarcadas, onde estiver um pecador, ali estará um necessitado da graça
de Deus, lá deva chegar a boa nova da Palavra de Deus, certos de que
“quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”
(Mc. 16.16). Lucas, em sua narrativa, ressalta o conteúdo a ser
propagado, “o arrependimento e a remissão dos pecados” (Lc 24.47). Essas
verdades não podem ser abolidas, nem mesmo minimizadas, o pecado é uma
realidade constatável no cotidiano, e, por causa dele, o ser humano se
encontra alienando de Deus (Rm. 3.23), por outro lado, o dom gratuito de
Deus é a vida eterna em Cristo (Rm. 6.23), o arrependimento dos pecados
é uma condição necessária (Mt. 3.2; At. 2.38). O exemplo a ser seguido,
na execução da Grande Comissão, é o do próprio Cristo, que tinha
convicção do Seu chamado, a certeza de estar no centro da vontade do
Pai, e que havia sido por Ele enviado (Jo. 20.21), para essa tarefa,
que, pela sua natureza espiritual, deva ser desenvolvida pelo poder do
Espírito Santo (At. 1.8) que resultará em autoridade para fazer proezas
para o Reino de Deus.
3. A COMISSÃO CULTURAL
A
Grande Comissão e a Comissão Cultural estão interligadas, já que Cristo
nos enviou para “fazer discípulos” (Mt. 28.19). Na medida em que
fazemos discípulos para Cristo, levamos adiante Seus ensinamentos,
difundimos valores que provêem de Deus. No princípio, conforme
registrado no livro do Gênesis, o projeto inicial de Deus era
estabelecer o Seu governo sobre os homens. No capítulo 3, versículo 28,
diz o Senhor a Adão: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e
sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e
sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Essa é uma comissão
cultural, Deus chamou a humanidade para a mordomia da terra, talvez os
termos traduzidos para o português não reflitam a especificidade dessa
ordenança. Para “sujeitar” e “dominar” a terra, o ser humano não precisa
destruí-la, como tem acontecido ao longo desses últimos anos. A relação
da humanidade com a terra precisa ser responsável, a natureza geme, e
sofre, desde a Queda (Gn. 3), ela passa por dores de parto até agora
(Rm. 8.22), essa talvez seja uma das razões de tantas catástrofes
mundiais que testemunhamos atualmente. Como súditos do Reino de Deus,
fazemos parte do processo de redenção da natureza, por isso, devemos
atentar para o cuidado com o meio-ambiente. Essa é apenas uma das
dimensões da Comissão Cultural, em Gn. 1.28, o pronome “todo” ressalta
uma dimensão mais ampla. Como cidadãos do Reino do Senhor Jesus, devemos
atuar nas diversas esferas da sociedade, sejam elas, educacionais,
artísticas, médicas, jurídicas, políticas, sociais e econômicas,
ensinado a obedecer todas as coisas que Cristo ordenou (Mt. 28.19). Essa
comissão dessa tarefa não será bem sucedida a menos que os imbuídos de
tal responsabilidade conheçam a mensagem do Reino. Caso contrário, a
Igreja poderá assumir padrões culturais que nadam têm de cristão, que,
muitas vezes, são normas mundanas travestidas de supostos fundamentos
bíblicos. O ponto de partida para a obediência da Comissão Cultural é a
desconstrução de um paradigma vigente no contexto cristão, a
diferenciação equivocada e antibíblica entre o “sagrado” e o “secular”. A
Palavra de Deus nos orienta a fazer distinção entre o “sagrado” e o
“profano”, não entre o “sagrado” e o “secular”, pois todas as coisas,
quer sejam feitas na igreja, em casa, na escola, no trabalho, ou em
qualquer lugar, em obediência à Palavra, são sagradas e glorificam a
Deus (I Co. 10.31).
CONCLUSÃO
A
sociedade mundana vai de mal a pior, distante dos valores do Reino de
Deus. Como súditos do Senhor, devemos levar adiante a Sua mensagem. Não
podemos deixar de atentar para a evangelização, o cumprimento da
ordenança de “fazer discípulos”. Mas não podemos restringir a mensagem
apenas a Grande Comissão, essa precisa ser ampliada na dimensão da
Comissão Cultural, propagando valores que percebam o ser humano em sua
integralidade, “corpo, alma e espírito” (I Ts. 5.23). Em um contexto
relativista, a Igreja deva ser a coluna e a firmeza da Verdade (I Tm.
3.15) em todas as esferas da sociedade, considerando a Soberania de
Cristo, já que “nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na
terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam
principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Cl.
1.26).
BIBLIGRAFIA
CHARLES, C., PEARCEY, N. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
CHARLES, C., PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
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