A VISÃO DO CRISTO GLORIFICADO
Texto Áureo: Ap. 1.17,18 – Leitura Bíblica: Ap. 1.9-18
Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
Em
continuidade à contextualização das Cartas às Sete Igrejas do
Apocalipse, destacaremos, na aula de hoje, a visão dada a João, do
Cristo Glorificado. A princípio, ressaltaremos a figura do Revelador,
que é o próprio Cristo, em seguida, as características da Sua
glorificação. E por fim, a reação de João, que deva ser a de todos nós,
diante do Cristo Glorificado.
1. CRISTO, O REVELADOR GLORIFICADO
João
recebeu de Cristo a ordem para que enviasse às sete igrejas da Ásia
menor as visões que lhes seriam reveladas (Ap. 1.9). O Apóstolo Amado
estava em espírito, no Dia do Senhor (Ap. 1.10), ao que tudo indica, um
dia de domingo, já que esse era o dia em que os primeiros cristãos se
reuniam (At. 20.7; I Co. 16.2). “Em espírito” aponta para uma
experiência sobrenatural, talvez semelhante ao arrebatamento
experimentado por Paulo, registrado em II Co. 12.2. João teve, então,
sua primeira visão, sete candeeiros de ouro, que representavam a igreja,
tendo em vista que essa é a luz do mundo (Mt. 5.14). No meio dos
candeeiros de fogo João viu um semelhante a filho de homem, certamente o
mesmo que fora visto por Daniel (Dn. 7.13), a Sua cabeça e cabelos eram
brancos como alva lã, como neve, representando Sua santidade e
divindade. Os olhos de fogo revelam Sua vitória sobre os inimigos (Ap.
19.12). Seus pés semelhantes ao bronze polido, como refinado numa
fornalha destacam Sua força e poderio, pois Ele tinha na mão direita
sete estrelas. Sendo Ele a Palavra, sai, da Sua boca, uma afiada espada
de dois gumes. A Palavra de Deus que é a espada do Espírito (Ef. 6.17),
espada afiada, capaz de discernir as intenções do coração humano (Hb.
4.12). Ele, como aconteceu no princípio, cria uma nova realidade a
partir da Sua palavra, como Deus, que, ao falar, a tudo fez (Gn. 1.3).
2. CARACTERÍSTICAS DA GLORIFICAÇÃO DE CRISTO
Essa
é uma visão extraordinária, que chamou a atenção de João, inicialmente
por Sua supremacia. Jesus é a maior autoridade em meio às igrejas, pois
foi Ele quem derramou sangue para resgatá-la (Ap. 1.18,19). Os
interesses humanos, inclusive os da liderança cristã, devem submeter-se à
voz dAquele que é o Cabeça da Igreja (Ef. 1.22; 5.23; Cl. 1.18). Suas
vestes caracterizam a soberania, pois as vestes compridas e o cinto de
ouro era uma marca daqueles que tinham autoridade. Após a ressurreição
Jesus declarou que todo o poder havia sido lhe dado no céu e na terra
(Mt. 28.18). Ele é o Santo, pois não conheceu pecado (Hb. 4.15), o Justo
(At. 3.14), o Santo de Deus (Lc. 4.34), nEle não há pecado (I Jo. 3.5).
Seu olhar, como chamas de fogo, aludem à capacidade de ver todas as
coisas, que se tornam patentes aos Seus olhos (Hb. 4.13). Ele conhece os
pensamentos humanos, e os perscruta (Lc. 6.8), bem como os corações
(Jo. 2.25), por isso pode se dirigir às igrejas dizendo que as conhece
(Ap. 2.2,9,13,19,3.1,8,15). Cristo é graça e amor, mas as igrejas não
podem esquecer que Ele, é Fogo Consumidor, que julga o Seu povo através
do fogo (I Co. 3.13-15). Por isso aponta os erros das igrejas (Ap.
2.4,14,15,20; 3.1; 3.15, 16). Essas são as características do Cristo
Glorificado, que, após a Sua morte e ressurreição, subiu à destra do
Pai, recebendo a glória que lhe pertencia antes da fundação do mundo
(Jo. 17.5).
3. ADORAÇÃO DIANTE DO CRISTO GLORIFICADO
Diante
do Cristo Glorificado, a igreja somente pode prostrar-se e, em
submissão, adorar Aquele que é o Primeiro e o Último, que foi morto, mas
que está vivo para todo o sempre, o Amém, que tem a chave da morte e do
inferno (Ap. 1.17,18). Por isso, João, ao ver o Cristo Glorificado, cai
aos seus pés, como morto. Desde a Antiga Aliança, ninguém podia ver a
face de Deus (Ex. 33.20), as manifestações divinas provocavam assombro
(Ez. 1.28-29; 3.22,23; 44.4). Isaias, no seu chamado para ser profeta,
sentiu a miserabilidade do seu pecado, e clamou por perdão (Is. 6.1-5).
Saulo, o perseguidor da igreja, não conseguiu ficar de pé diante da
revelação e da voz que o impactou no caminho de Damasco (At. 9.3-5).
Diante das grandezas das revelações de Cristo, devemos nos humilhar em
reconhecimento a Sua potente mão (I Pe. 5.5,6). Muitas igrejas estão
perdendo o temor pelo Senhor, não percebem que esse é o princípio da
sabedoria espiritual (Pv. 1.7; 9.10; Ec. 12.13). Precisamos atentar para
o exemplo de Jó, homem fiel a Deus, que O temia, por isso, se desviava
do mal (Jó. 1.8). Quando tememos a Deus a ninguém mais temeremos (Mt.
10.28), pois Ele está no controle de todas as coisas, inclusive da morte
e do inferno (Ap. 1.17,18). Isso porque a morte e o inferno não foram
capazes de detê-LO. Ele é o Deus Vivo, o mesmo ontem e hoje e
eternamente (Hb. 13.8)
CONCLUSÃO
A
visão do Cristo Glorificado proporcionou a João a compreensão
espiritual dos mistérios de Deus. Podemos ter o entendimento de tais
revelações através das páginas da Escritura, no registro bíblico de que
as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, as
sete igrejas (Ap. 1.20). Diante de tais verdades, mantenhamo-nos,
humildes, pois a Palavra é revelada aos pequeninos (Mt. 11.25), não aos
orgulhosos (I Co. 3.1-3). Imbuídos dessa sensibilidade, permaneçamos com
os ouvidos espirituais atentos para ouvir o que o Espírito diz às
igrejas (Ap. 3.6).
BIBLIOGRAFIA
LADD, G. Apocalipse: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LAWSON, S. L. As sete igrejas do Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
