O GOVERNO
DO ANTICRISTO
Texto Áureo: I Jo. 2.18 –
Leitura Bíblica: Ap. 3.1-9
Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
Após o estudo das cartas às sete igrejas da Ásia Menor, atentaremos para alguns
tópicos escatológicos, dentre eles, o governo do anticristo, o juízo final e a
formosa Jerusalém. Na aula de hoje estudaremos a respeito do governo do
anticristo, destacaremos sua definição bíblica, como se dará seu aparecimento,
e ao final, a atuação desse governo, que já impera, ainda que parcialmente,
no tempo presente.
1. ANTICRISTO, DEFINIÇÃO BÍBLICA
O
termo anticristo, contra Cristo em grego, é usado somente por João,
esse mesmo apóstolo descreve seu surgimento e atuação. Em I Jo. 2.18
destaca
que a aparição de falsos cristos é um sinal dos últimos dias, tal
anticristo
nega tanto o Pai quanto o Filho (I Jo. 2.18), e que todo espírito que
nega que
Jesus veio em carne é do anticristo (II Jo. 1.7). A definição de
anticristo,
por conseguinte, no primeiro século, estava associada ao gnosticismo,
doutrina
que negava a encarnação de Cristo, justificando-a através da filosofia
grega. A
figura do anticristo já fora antecipada por Daniel, ao referir-se ao
“homem
vil” (Dn. 11.21), cujo cumprimento inicial ocorreu nos tempos de Antíoco
Epifânio, mas que acontecerá plenamente nos últimos tempos. Em Mt. 24.24
e Mc. 13.22 Jesus menciona os falsos cristos que surgirão por ocasião
dos tempos finais. A palavra nos evangelhos é pseudocristos, que pode ser diferenciada
de anticristos, o primeiro é aquele que afirma ser o Cristo, enquanto que o
último se opõe a Cristo. Em todo caso, os poderes do anticristo e do pseudocristo
estão correlacionados. O anticristo, de acordo com Paulo, é “o homem do pecado” (II
Ts. 2.3). Ele é apresentado no capítulo 13 do Apocalipse como a besta (Ap.
13.1) que recebeu seu poder do dragão – o diabo - a serpente do Gênesis. O
anticristo governa um sistema – o mundo – por isso, de certo modo, ele já está
em ação (II Ts. 2.7). A esse respeito, João declara que o mundo jaz no Maligno
(I Jo. 5.19), portanto, sob o poder do anticristo.
2. O APARECIMENTO DO
ANTICRISTO
O capítulo 13 do Apocalipse nos apresenta à figura do anticristo como
a besta, mencionada em Ap. 11.7, tendo saído do abismo para combater as duas
testemunhas. Em Ap. 13.1 ela emerge do mar, um símbolo bíblico da humanidade
não regenerada e em constante agitação (Is. 57.29). Esse significado é
reforçado em Ap. 17.15, em que diz “As águas que viste ... são povos,
multidões, nações e línguas”. O parentesco entre a besta e o dragão é
perceptível pelo fato de ambos terem dez chifres e sete cabeças (Ap. 12.3). Os
chifres, na simbologia bíblica, têm a ver com poder, e o fato de que a besta
exigirá prerrogativa divina para si. João a descreve, em Ap. 13.2, como um
leopardo, com pés como de urso, e boca como de leão. Essa besta concentra não
apenas poder político e militar, mas também poder moral, pois se trata, como
aponta Paulo, do homem de iniquidade (II Ts. 2.9). Satanás dará o seu poder ao
anticristo, que maravilhará o mundo com suas magias (Ap. 13.3). Como o
leopardo, que representa o governo da Macedônica (Dn. 7.6), será rápido, veloz,
conquistador e incansável. Os pés de urso dizem respeito a Media e à Pérsia
(Dn. 7.5), que representa a força e estabilidade. A boca de leão representa a
monarquia do império babilônico (Dn. 7.4), impondo perseguição e matança. A
besta não quer apenas o poder político (Ap. 13.4), seu interesse é também
religioso, ela quer ir de encontro a Deus, deseja ser adorada como tal. Satanás
sempre quis ser adorado como Deus, desde o princípio Ele se opõe à Palavra de
Deus (Gn. 1.28; 3.4), ambicionou o trono do Altíssimo (Is. 14.12-15) e
tornou-se o príncipe deste século, enganando a muitos (II Co. 4.4), já que é o
pai da mentira (Jo. 8.44), tendo tentado o próprio Cristo (Mt. 4.1-11), tal
como o Senhor, devemos resisti-lo (Tg. 4.7).
3. A ATUAÇÃO DO
ANTICRISTO
A atuação de Satanás, como pai da mentira, faz uso da linguagem,
recorre à boca para repassar seu engano. Em Ap. 13.5 está escrito que a besta
recebeu uma “boca que proferia arrogâncias e blasfêmias”, em consonância com
Dn. 7.8,20 e 25. É dito, seis vezes, que o poder não é da própria besta, mas
que esse “lhe foi dado" (Ap. 13.2,5,7,14 e 15). Esse poder também será
controlado, está limitado temporalmente a “quarenta e dois meses”, período que
durará a Grande Tribulação. Esse período é descrito, em Ap. 12.14, como “um
tempo, tempos, e metade de um tempo”, sendo igual a 42 meses e 1260 dias (11.2,3;
12.6, 14, 13.5). A besta “abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus” (Ap.
13.6). Para sustentar seu poder, o anticristo fará oposição direta a Deus, ele
quer que as pessoas sejam lhe fiéis. Como já acontece atualmente com aqueles
que servem a Deus, o príncipe deste século tratará de “difamar o tabernáculo, a
saber, os que habitam no céu”. Os cristãos genuínos, aqueles que servem a
Cristo, são alvo das críticas dos que se opõem à Palavra de Deus. Nem mesmo os
cidadãos dos céus são respeitados, se tornado alvo de chacotas. Por aquele
tempo, ocorrerá, como no presente, peleja contra os santos, e mais angustiante,
a predominância do império do mal (Ap. 12.7). Satanás nunca está satisfeito com
aqueles que “guardam os mandamento de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap.
12.17). Mas a vitória do anticristo tem tempo determinado, pois João viu, ao
final, “os vencedores da besta e da sua imagem” (Ap. 15.2), por causa do
“sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram, e, mesmo em
face da morte, não amaram a própria vida” (Ap. 12.11).
CONCLUSÃO
Durante a Grande Tribulação, o anticristo, como acontece hoje, será
adorado por muitos que habitam na terra (Ap. 13.8). Os adoradores da besta não
terão seus nomes “escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a
fundação do mundo” (Ap. 13.9). Esse mesmo livro da vida é referido em Ap.
21.27, os nomes encontrados ali terão acesso à Nova Jerusalém. Essa mensagem
sobre o governo do anticristo deve servir de admoestação para que a igreja não
se deixe controlar pelo engano. Portanto, “quem tem ouvidos ouça o que o
Espírito diz às igrejas” (Ap. 13.9).
BIBLIOGRAFIA
LADD, G. Apocalipse:
introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
SILVA, S. P. Apocalipse versículo por versículo. Rio de Janeiro: CPAD, 1985.
