SOFONIAS –
O JUÍZO VINDOURO
Texto Áureo: Mt. 24.24 –
Leitura Bíblica: Sf. 1.1-10
Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
A injustiça campeia na sociedade, por toda parte predomina a
violência. Mas Deus não permitirá que essa realidade subsista para sempre. O
juízo vindouro sobrevirá sobre as nações (Mt. 25.31-46), e por fim, no trono
branco, para condenação (Ap. 20.11-15). Na aula de hoje estudaremos a respeito
do julgamento futuro com base na mensagem profética de Sofonias. A princípio
destacaremos os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua mensagem, e por
fim, aplicação para hoje.
1. ASPECTOS CONTEXTUAIS
Sofonias, cujo nome
significa “escondido pelo Senhor”, destinou sua mensagem ao povo de Judá, a fim
de despertá-lo para o julgamento vindouro, e, ao mesmo tempo, convidarem a
retornar para o Senhor. Essa mensagem foi proferida por volta de 640 a 621 a.
C., quando foram iniciadas as grandes reformas de Josias. Naquele tempo esse
monarca judeu se esforçou para modificar a situação deixada pelos reis
anteriores, especialmente Manassés e Amom. Josias tinha apenas oito anos de
idade quando começou a reinar em Judá. A principal preocupação do jovem rei foi
a de despertar o povo para que se conduzisse no propósito de Deus. Seu reino
pode ser dividido em três fases: a pré-reforma (640-628 a. C); a reforma
propriamente dita (692-622 a. C.); e a pós-reforma (622-609 a. C.). A profecia
de Sofonias teve papel fundamental na concretização das reformas espirituais da
nação. Este profeta foi contemporâneo de Jeremias e Habacuque, e tal como eles,
fez menção ao juízo que sobreviria sobre Judá. Pouco se sabe a seu respeito,
apenas, a partir de Sf. 1.1, que se tratava de alguém da linhagem
aristocrática, por isso desfrutava de alguns privilégios. Mas ao invés de se
acomodar com sua posição, preferiu se posicionar contra a situação moral e
religiosa da sua nação. O versículo-chave de Sofonias se encontra em Sf. 2.3: “Buscai
o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que pondes por obra o seu juízo; buscai
a justiça, buscai a mansidão; porventura, sereis escondidos no dia da ira do
Senhor”. O livro apresenta a seguinte divisão: 1) O Dia do Senhor (Sf. 1.1-3.8)
– o julgamento de Deus sobre a terra (Sf. 1.1-3), o julgamento de Deus sobre
Judá (Sf. 1.4-18); o julgamento de Deus para arrependimento (Sf. 2.1-3); o
julgamento das nações (Sf. 2.4-15); o julgamento de Jerusalém (Sf. 3.1-7), o
julgamento de toda terra (Sf. 3.8); e 2) A Salvação no Dia do Julgamento (Sf.
3.9-20).
2. A MENSAGEM DE SOFONIAS
O profeta de família nobre recebe do Senhor a incumbência de levar
adiante a mensagem de juízo, a fim de revelar que o mundo estaria prestes a ser
destruído (Sf. 1.1-3). O Senhor é o Juiz de toda terra, por isso todos serão
punidos, a começar por Judá, o primeiro reino a receber o peso da mão de Deus
(Sf. 1.4-9). Ele destaca que o Dia do Senhor se aproxima, e que ninguém
escapara do Seu julgamento (Sf. 1.10-18). A condição para a salvação é o
arrependimento, somente assim o povo será preservado da ira de Deus (Sf.
2.1-3). O juízo virá porque Judá optou pela infidelidade ao Senhor (Sf. 1.4-9),
todas as camadas sociais serão punidas, pois todos pecaram (Sf. 1.10-13), e
triste será esse Dia, tendo em vista a intensidade dos seus horrores (Sf.
1.14-18). A expressão “Dia do Senhor”, no texto profético, diz respeito ao
julgamento de Deus. O cumprimento desse Dia se deu em algumas ocasiões do
passado sobre Israel, Judá e outras nações. Mas também tem uma dimensão futura,
quando o Senhor, por fim, julgará todas as nações da terra, na batalha do
Armagedom (Ap. 16.16). No tempo de Sofonias algumas nações seriam julgadas,
dentre elas a Filistia (Sf. 2.4-7), Moabe e Amom (Sf. 2.8-11), Cusi (Sf. 2.12)
e a Assíria (Sf. 1.13,14). Apesar do juízo iminente, Jerusalém, no futuro, terá
papel fundamental (Ez. 48.35). Ela é a capital do Messias, Aquele que descendeu
de Davi (II Sm. 7. 4-17; I Cr. 17. 3-15). Mas antes disso, durante o cativeiro
babilônico, e por ocasião da Tribulação, Jerusalém será oprimida (Sf. 3.1-8;
Mt. 24.15,16). Deus não quer destruir o Seu povo, o propósito de juízo é
conduzi-lo ao arrependimento, a dispersão tem o objetivo de trazê-lo de volta
para Ele (Sf. 3.9-20).
3. PARA HOJE
O mundo perdeu a dimensão do juízo, as pessoas vivem como se não
tivessem a quem prestar contas. Uma célebre declaração de um dos personagens de
Dostoievski ilustra bem a situação atual. Se Deus não existe, então tudo é
permitido, ninguém a temer, até porque a impunidade humana prevalece. Mas a voz
de Sofonias ecoa no tempo presente a fim de chamar a atenção para o julgamento
vindouro que se aproxima. Deus julgará a idolatria, os deuses do presente
século serão destronados. Ao invés de adorarem o Senhor, as pessoas se voltam ao
culto às personalidades, principalmente às riquezas materiais. Não podemos, no
entanto, esquecer do grande e antigo mandamento, o de que devemos amar somente
ao Senhor (Mt. 22.37) e que não podemos ter outro Deus além dEle (Ex. 20.3).
Ainda que as pessoas vivam como se Deus não existisse, a verdade é que o juízo
virá (Mt. 3.7), os que se distanciam de Deus têm razões para temê-lo, mas não
para os que creem e vivem em santidade (II Pe. 3.11,12). Para os incrédulos, o
escape, como nos tempos de Sofonias, é o arrependimento, voltar-se para o
Senhor, e para Aquele que Ele enviou (Jo. 6.28,29). O Deus que julga as nações
executará seu juízo também sobre as pessoas individualmente, por meio dAquele
que instituiu como Juiz (Jo. 5.22-30; At. 17.31). Citamos os trechos de um
poema clássico para dizer que somos os mestres das nossas almas, capitães do
nosso próprio destino. Mas a verdade é que não temos em que nos gloriar, é
tolice acharmos que não precisamos de Deus. A exaltação humana resulta em ruína,
a Bíblia, e a própria história, assim o revelam (Is. 14.12-15). Devemos vivem
em submissão à Palavra de Deus, para sermos achados de acordo com Sua vontade
(Mt. 21.33-40).
CONCLUSÃO
No Sl. 24.3 o poeta sacro indaga: "Quem
subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?" A
resposta, no versículo seguinte é: "Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a
sua alma à vaidade, nem jura enganosamente". Considerando que todos são
pecadores (Rm. 3.23; I Jo. 1.10) e que o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23),
não há outra salvação senão se arrepender (At. 3.19) e se voltar para o Senhor
em obediência amorosa (Jo. 14.15).
BIBLIOGRAFIA
BOICE, J. M. The minor prophets. Grand Rapids: Bakerbooks, 2006.
BAKER, D. W.,
ALEXANDER, T. D. STURZ, R. J. Obadias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque e Sofonias: introdução e comentário. São
Paulo: Vida Nova, 2001.
