AGEU – O COMPROMISSO
DO POVO DA ALIANÇA
Texto Áureo: Mt. 6.33 –
Leitura Bíblica: Ag. 1.1-9
Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
A ênfase nos interesses pessoais contribuiu significativamente para
que as pessoas se esqueçam de Deus. O povo da aliança, depois de retornar do
cativeiro, também se esqueceu do seu compromisso com o Senhor. Na aula de hoje,
a partir do profeta Ageu, estudaremos a respeito dessa falta descompromisso.
Destacaremos, a princípio, os aspectos contextuais do livro, em seguida, sua
mensagem, e por fim, sua aplicação para os dias atuais.
1. ASPECTOS CONTEXTUAIS
Ageu, cujo nome significa
“festivo”, profetizou por um período de quatro meses, no ano 520 a. C., após o
retorno de Judá do cativeiro babilônico. O templo de Jerusalém havia sido destruído
em 586 a. C., mas Ciro permitiu que os judeus o reedificassem em 538 a. C. O problema principal foi a falta
de continuidade do trabalho, que havia sido iniciado há 18 anos. Os profetas
Ageu e Zacarias tiveram papel preponderante a fim de despertar o povo da
aliança para o engajamento naquela obra. O versículo-chave se encontra em Ag. 1.4:
“É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de
ficar deserta”. Isso porque o povo, ao invés de se voltar para a obra de Deus,
se preocupava apenas com o bem-estar pessoal. Ageu foi o primeiro dos profetas
pós-exílicos, os demais foram Zacarias e Malaquias. Naquela época, Zorobabel, o
governador de Judá, e Josué, o sumo sacerdote, estavam na liderança, tentando
reconstruir o Templo. O altar já havia sido restaurado, mas o trabalho do
Templo não prosseguia. As razões para a falta de continuidade do trabalho eram
diversas, dentre elas a oposição dos inimigos, mas a principal delas era a
hostilidade. A mensagem de Ageu encontrou guarida nos corações do povo da
Aliança, que se arrependeu e voltou-se para a reconstrução do Templo. Menor que
o anterior, mas esse Templo acabou sendo fundamental para a restauração do
culto ao Senhor. O livro de Ageu apresenta a seguinte divisão: 1) a ordem para
a reconstrução do Templo (Ag. 1); 2) a glória do Templo reconstruído; (Ag.
2.1-9); 3) as bênçãos da obediência (Ag. 2.10-19); e 4) a promessa de benção de
Deus (Ag. 2.10-2.23).
2. A MENSAGEM DE AGEU
A mensagem de Ageu é uma denúncia contra o egoísmo humano. O povo da
Aliança retornou do cativeiro, preocupando-se apenas com a edificação das suas
casas (Ag. 1.2-4). Por causa disso, o povo passou a enfrentar dificuldades
financeiras, adquiria muitas coisas, mas não encontrava satisfação (Ag. 1.5,6).
Isso porque de nada adianta juntar dinheiro e não colocá-lo debaixo do governo
de Deus. É a mesma coisa que juntá-lo em um “saquitel furado”, muito trabalho,
mas pouco proveito, e, às vezes, dívidas. Mas o povo de Judá se arrependeu e
deu ouvidos à mensagem do profeta Ageu e durante três semanas, a comunidade
inteira trabalhou de forma incansável a fim de completar a reconstrução do
Templo (Ag. 1.12-15). A dedicação à obra de Deus não é apenas uma ordenança,
mas uma necessidade, o ser humano foi criado para servi-LO. Ageu entregou três
mensagens de encorajamento para o povo da Aliança. A primeira dizia respeito a
uma promessa de que templo
recém-construído, ainda que fosse menor, em comparação com o de Salomão, sua
glória seria maior (Ag. 2.1-9). Não é o tamanho do espaço, muito menos a
estética, que determina a presença de Deus, mas a disposição espiritual. Esse “segundo
Templo”, ainda que tivesse sido reformado por Herodes, teve maior glória, pois
Cristo, o Senhor, nele ministrou. A segunda mensagem de Ageu é uma parábola
viva. O profeta faz algumas indagações a respeito da lei. Ele pretendia mostrar
que a presença de um lugar sagrado não garante a santidade do povo (Ag.
2.10-19). A última mensagem é destinada a Zorobabel, representante da linhagem
de Davi, que exercerá autoridade sobre a terra, quando Cristo voltar para
reinar.
3. PARA HOJE
Nesses dias tão difíceis para a igreja evangélica precisamos ouvir
mais mensagem de restauração. A teologia da ganância está formando uma geração
de “crentes” que somente pensa neles mesmo. Estão pouco interessados na obra de
Deus, a prioridade é a compra da mansão ou do carro importado. Nada há de
errado em buscar satisfazer as necessidades familiares com equilíbrio e modéstia.
Não é pecado adquirir uma casa ou um veículo, de acordo com os rendimentos da
família. Mas é preciso ter cuidado para não ostentar, os bens materiais não
podem ter como objetivo a glorificação pessoal. Por causa do consumismo que
adentrou as igrejas, muitos evangélicos estão deixando de viver em paz por
causa das dívidas, contraídas a fim de satisfazer o status exigido pela
sociedade. A obra de Deus também sofre, pois os projetos eclesiásticos são
relegados a segundo plano. É verdade que não dependemos de um templo para
adorar a Deus (Jo. 4.21-24), mas isso não exime sua relevância enquanto espaço de
encontro para ministração da palavra, oração e adoração (At. 2.44-47). Muitas
igrejas locais estão tomadas pelo marasmo, o egoísmo está solapando a comunhão
e a unidade. Alguns crentes estão francos, outros se tornaram “desigrejados”. A
fraqueza desses não deve ser motivo para perder o ânimo, antes devemos ser
fortes no Senhor (Ef. 6.10).
CONCLUSÃO
O compromisso da igreja é com o Reino de Deus, que já está no meio de
nós, na expectativa por Sua completude (Lc. 17.20,21; 19.11-27). Muitos evangélicos
estão interessados apenas no reino deste mundo, não têm interesse de investir
no Reino dos Ceús (Mt. 13.44). Essa é uma questão de prioridade, pois Jesus nos
ensinou a buscar primeiro de Deus e a Sua justiça, e que as outras coisas
(alimento e vestimenta), não “as demais”, seriam acrescentadas (Mt. 6.33).
BIBLIOGRAFIA
BALDWIN, J. G. Ageu, Zacarias e
Malaquias: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.
BOICE, J. M. The
minor prophets. Grand Rapids: Bakerbooks, 2006.
