A LONGA
SECA SOBRE ISRAEL
Texto Áureo: II Cr. 7.14
– Leitura Bíblica: I Rs. 18.1-8
Prof. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
Como medida disciplinar, O Senhor, através do profeta Elias,
determinou um período de longa estiagem sobre Israel. Na lição de hoje
estudaremos a respeito desse momento crítico para a nação israelita e suas
consequências. Ao final, refletiremos a respeito das situações de estiagem, das
catástrofes naturais como um todo, à luz do contexto bíblico-teológico.
1. A SECA SOBRE ISRAEL
Baal era adorado entre os
cananeus, e posteriormente, pelos próprios israelitas como deus da fertilidade
(I Rs. 16.30-33). Por isso Elias profetizou que Deus enviaria um período de
seca sobre a nação a fim de que o povo reconhecesse que somente o Senhor era
Deus. A profecia de Elias se cumpriu cabalmente nos dias do rei Acabe (I Rs.
17.1,2; 18.1,2) e é mencionada no Novo Testamento (Tg. 5.17). O objetivo
daquela seca foi fazer com que o povo refletisse a respeito da sua condição
espiritual. Ele estava dividido entre dois pensamentos (I Rs; 18.21,37). Mas durante
o período da estiagem Deus preservou a vida do profeta Elias,
providenciando-lhe alimento necessário para sobrevivência (I Rs. 17.1-7). Inicialmente
o Senhor orientou o profeta para que saísse do lugar no qual Seu juízo se
realizaria (I Rs. 17.3). Em seguida Ele ordenou que o profeta se escondesse
junto ao ribeiro de Querite (I Rs. 17.3). Aqueles foram dias difíceis para os
profetas do Senhor, pois eles eram perseguidos e mortos por Acabe e Jezabel.
Mas dentro do palácio havia alguém sensível às injustiças realizadas por aquele
casal. Obadias ocupava ali uma posição-chave, pois encontrava maneiras para
preservar a vidas dos servos de Deus. O texto bíblico diz que ele “temia muito
ao Senhor”, por isso os escondia, opondo-se aos intentos apóstatas da monarquia
(I Rs. 18.4). Não são poucos os cristãos que se encontram em igual condição,
vivem debaixo de governos tiranos, mesmo assim se arriscam em prol da justiça.
Na história da igreja nos deparamos com pessoa, como Corrie ten Boom, que se
arriscou para salvar a vida de vários judeus durante a Segunda Guerra,
ocultando-os das forças nazistas.
2. AS CONSEQUÊNCIAS DA
SECA SOBRE ISRAEL
A seca resultou em fome, mas ao invés de se preocupar com as
necessidades do povo, Acabe estava voltado apenas para seus pertences. Ao invés
de encontrar soluções para amenizar a fome extrema em Samaria (I Rs. 18.2), o
monarca buscava meios para preservar suas posses (I Rs. 18.4-6). Naquele
contexto de apostasia um homem, Obadias, reconheceu a autoridade espiritual de
Elias. Mesmo assustado, o servo de Acabe temeu ao profeta do Senhor, e este,
por sua vez, se prontificou a salvar a sua vida (I Rs. 18.14,15). Elias
apresentou-se a Acabe, mas o rei não quis reconhecer o seu pecado, antes culpou
o profeta pela seca, dizendo ser o mensageiro do Senhor um perturbador (I Rs.
18.17). Elias confrontou Acabe e Jezabel, denunciando que a causa da estiagem
não era ele, muito menos o Senhor, mas a desobediência por eles patrocinada (I
Rs. 18.18). Há governantes que agem de igual modo nos dias atuais, eles não
mostram sensibilidade pela situação do povo diante das catástrofes naturais. Há
inclusive aqueles que querem tirar proveito político em tais situações. Como
Acabe e Jezabel, subtraem os recursos públicos, desviando-os para negócios
particulares. A miséria, decorrente de desastres, se transforma em negócio, por
meio do qual vidas humanas são sacrificadas. Aqueles que denunciam tal postura
antiética são rotulados de perturbadores. Mas entre tais governos corruptos e
insensíveis existem aqueles que, assim como Obadias, evitam que as pessoas são
injustiçadas, ainda que corram riscos.
3. SECAS, ENCHENTES E
DESASTRES NATURAIS
Não podemos generalizar, argumentando que todas as secas, enchentes e
desastres naturais são julgamentos divinos. Não podemos esquecer que a queda do
homem teve efeitos sobre a natureza (Rm. 8.18-22). Jesus reconheceu que os
seres humanos estão debaixo das condições adversas resultantes de catástrofes naturais
(Mt. 7.24-27). Não é correto tentar encontrar uma relação de causa e efeito em
todas as situações de desastres naturais. Ainda que não compreendamos a causa
dos desastres, devemos aprender, com Jeremias, a sentir a dor das pessoas (Lm.
2.19). Ninguém deve ter a pretensão de achar que conhece todos os desígnios de
Deus (Is. 55.8,9). No Antigo Testamento Deus governava a nação judaica
diretamente, por isso o Senhor usava a natureza para recompensar ou julgar o
povo (II Cr. 7.13,14). Essa realidade não pode ser diretamente aplicada ao
contexto do Novo Testamento. Cristo se fez maldição ao ser pregado no madeiro
(Gl. 3.13). Os desastres naturais ocuparão espaço punitivo no plano
escatológico, no período da Tribulação (Mt. 24.27-30; Ap. 6.12-17). A resposta do
cristão diante de secas e enchentes é a de lamentação (Lm. 1.12,13,16),
chorando com os que choram (Rm. 12.15). Elias recebeu a revelação direta do Senhor,
informando às autoridades, naquele tempo, que a seca havia sido resultante da
apostasia. Não podemos, neste tempo, aplicar aquela realidade para situações
particulares.
CONCLUSÃO
O pecado traz desastres para o ser humano, o maior deles é o
distanciamento de Deus, o Criador (Rm. 3.23). Essa é a morte espiritual, que
pode, posteriormente, caso as pessoas não se arrependam, se transformar em
morte eterna (Ap. 20.14). O julgamento de Deus, em Cristo, acontecerá no
futuro, no Trono Branco (Ap. 20.11-15). Secas e enchentes acontecem hoje, mas
porque a natureza geme, em decorrência do pecado do ser humano (Rm. 8.22). Como
cristãos, não devemos julgar povos e nações diante das catástrofes, antes
lamentar, e ajuda-los na necessidade (II Co. 8.9-12).
BIBLIOGRAFIA
GETZ, G. Elias: um modelo de coragem e fé. São
Paulo: Mundo Cristão, 2003.
SWINDOLL, C. R. Elias: um homem de heroísmo e
humildade. São Paulo: Mundo Cristão, 2001.
